Otelo, de William Shakespeare
“Lamentar um infortúnio que está morto e enterrado é dar o passo certo na direção de atrair para si novo infortúnio. Há sempre aquilo que não pode ser preservado quando Destino tem as rédeas na mão, mas a Paciência encarrega-se de fazer do prejuízo uma zombaria.”
Escrito em meados de 1603, Otelo foi objeto de diversas peças e adaptações teatrais ao redor do mundo, sendo um dos mais trabalhados nas escolas de ensino básico na Inglaterra. Traz personagens com personalidades diversas convivendo entre si e assuntos relevantes para discussões atuais.
O enredo nos apresenta Otelo, um homem de origem simples e negro, com um enorme influência e respeito em campos de batalha, mas também por sua honra e caráter correto, ágil e inteligência. Todas essas qualidades são atrativas para Desdêmona, filha de Brabâncio, família da qual possui bastante relevância social naquela região. Porém, a união entre essas duas pessoas traz infelicidade, incômodo e inveja para pessoas ao redor, dentre eles o próprio pai da moça, mas também por Iago e seu amigo Rodrigo.
Apesar de ser conhecido pelo tema ciúmes - embora realmente seja relevante-, a importância da narrativa não se foca apenas nesse âmbito. Como dito anteriormente, Otelo era negro e esse fator é essencial para compreender o desprezo de Brabâncio ao ter conhecimento sobre o casamento com sua filha. Além disso, há sim a questão do ciúmes de Otelo para com Desdêmona, que traz um fim trágico para ambos, mas ao analisar de maneira mais aprofundada, há um elemento que falta muito entre as pessoas desse livro: a comunicação. Esses personagens não conversam entre si, Otelo, por exemplo, apenas acata as ideias de Iago, acredita em tudo o que ele diz, mas nunca, de fato, em nenhum momento na história ele pergunta ou tenta escutar a Desdêmona. Além disso, o único momento em que ambos se cruzam e tentam conversar, Otelo não a deixa falar.
Portanto, mais do que um livro sobre ciúmes é um enredo sobre a falta de comunicação, manipulação de Iago - que só ocorre porque todos nesta história são pessoas muito manipuláveis e não sabem manter uma conversa e, de certa maneira, até um pouco sonsas - , formada também por suposições e não certezas. Para ser sincera, esses personagens desse livro me irritaram muito.
Até a próxima resenha.


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